Jocelino
Soares
dividiu
a infância
entre a pequena
Neves Paulista
e a grande
São
José
do Rio Preto,
cidade do
noroeste paulista
, marcada
pela ocupação
sucessiva
e paulatina
da pecuária,
do café,
do algodão
e agora da
cana que vira
álcool
e gira os
motores em
nome da tecnologia
nativa.
Jocelino
Soares cresceu
à sombra
dos cafezais,
com o olhar
perdido no
campos verdejantes
das folhas
da rubiácea
e nos horizontes
dourados dos
arrozais,
olhar que
também
enchia a alma
quando caia
nos campos
de matos ou
nas pastagens
onde aqui
e acolá
despontavam
um ou outro
pé
de ipê
florido de
roxo, de amarelo
e de branco,
ao gosto da
mãe
terra. Jocelino
Soares traz
na alma o
sussurro dos
pequenos regatos
de águas
cristalinas,
tão
límpidas
e frescas
como água
da cacimba;
tem
nos escaninhos
da memória
os cantares
matinais dos
pássaros
silvestres
e o ensurdecedor
silêncio
das noites
da roça,
noites claras
de luar, noites
quentes e
abafadas do
verão,
noites geladas
que hoje são
tão
raras. Jocelino
viveu como
viveram os
caipiras antigos
encarnados
na pele dos
seus pais
e irmãos.
Viveu a vida
do campo com
suas belezas
e pequenos
prazeres.
Brincou, dançou,
calejou as
mãos,
sonhou sonhos
impossíveis
para ousar
romper a cerca
que confiava
a ignorância,
expondo com
coragem a
galhardia
seus traços
rústicos
desenhados
à luz
bruxuleante
da lamparina
a querosene.
Esses traços
evoluíram,
ganharam molduras,
foram a salões
de arte, freqüentaram
galerias e
cruzaram oceanos
pra encantar
as almas abertas
ao encantamento,
para encher
o olhar de
olhos ávidos
de beleza,
para abrir
o sorriso
daqueles que
ainda se deleitam
com as coisas
simples do
homem do campo
e com os encantamentos
gratuitos
da natureza.
Jocelino Soares
é pintor.
Esse artista
que pinta
o campo que
traça
os contornos
férteis
do imaginário
popular, que
transforma
em cores a
criação
maior que
vem da terra
, que brota
da alma do
homem caipira,
que transborda
dos ribeirões
e que salta
dos olhares
prenhes de
sonho, de
sonhos sonhados
e não
sonhados,
de desejos
contidos e
incontidos,
de saberes
secretos e
públicos,
das coisas
sondáveis
e insondáveis
que dançam
o balé
magnífico
das cores
que dão
vida a cada
um de seus
quadros .
Jocelino Soares
é um
artista do
povo simples
da roça,
é um
mago que empresta
vida aos anônimos
personagens
das histórias
dos homens
e das mulheres
do campo |